Teorias de Administração do Clássico ao Caos

Teorias de Administração, Conceitos e Objetivos

É típico da condição humana, necessidades básicas tais quais a alimentação, o descanso, o lazer, a auto-realização e outras mais, e para que este imperativo seja alcançado se faz necessário na grande maioria dos casos que o indivíduo através de sua força de trabalho seja um colaborador com a sociedade, de forma autônoma ou com alguma espécie de vínculo empregatício ligado a uma empresa privada ou órgão público, quando falamos de empresas logo nos vem a mente a ideia de um agrupamento de pessoas trabalhando para alcançarem objetivos comuns, no caso em questão os objetivos da empresa. Por trás de todas essas pessoas se faz necessário a figura do administrador: responsável pelas funções administrativas PLANEJAMENTO, ORGANIZAÇÃO, DIREÇÃO, CONTROLE, procuro abranger aqui uma noção ampla sobre a administração, seus conceitos e seus objetivos, falaremos agora sobre teorias de Administração

Frederick W. Taylor – Administração Científica – Ênfase nas tarefas

O principal nome da abordagem científica e pioneiro na área de administração, era final do século XIX, Taylor inicia suas experiências em uma fábrica como aprendiz, tempos depois passa a estudar engenharia e ingressa na Midvale Steel Co, em um primeiro momento como torneiro mecânico e tempos depois passa a engenheiro chefe, Taylor era observador e começa a fazer uma metódica análise da forma como as tarefas eram desempenhadas, quanto tempo levava para fazê-las, qual o processo de movimentação. Em razão destes fatos Taylor propõe o modelo científico onde é estabelecida uma gerência que é parte definidora de quais tarefas devem ser executadas, como devem ser e com quais ferramentas (Planejamento Operacional). É tarefa dos gerentes definir os melhores métodos de execução de tarefas de forma que a ação seja produtiva, em tempo hábil, a custos mínimos, este é o conceito de Eficiência: produtividade + economia de recursos. Veja a listagem das principais inovações propostas por Taylor:

Homo Econômico: Até então se acreditava ser o salário a única fonte motivadora para o trabalhador, este era tido como uma máquina e quanto mais produzisse mais ganharia, as funções eram repetitivas e maçantes, não eram levados em conta a auto-realização e o bem estar social do funcionário.

*Profunda análise do trabalho e dos movimentos executados pelo trabalhador.
*Estudo da fadiga Humana
*Super-especialização do operário
*Padronização de métodos e máquinas
*Supervisão funcional (Nível Operacional)
*Condições ambientais de trabalho
*Seleção do trabalhador baseado em suas habilidades
*Um tempo padrão para uma produção mínima
*Os interesses do operário não se sobrepõem aos da organização
*Maior divisão possível das tarefas
*Gerentes planejam e operários executam
*Bons salários e custo de produção baixo.

Henry Fayol – Teoria Clássica – Foco na Estrutura e Gerência

Fayol foi um administrador, e baseado em suas próprias experiências elaborou o chamado processo administrativo, que é formado pelas nossas conhecidas funções administrativas, que até esta data eram em 5, o papel dos gerentes era justamente fazer cumprir estas funções administrativas, manter a unidade de comando (um operário tem apenas um supervisor, evitando-se assim o choque de ordens), Unidade de direção (Um só chefe e um só programa para operações que visam o mesmo objetivo), combater a burocracia na empresa, hierarquia, Estabilidade do pessoal (rotatividade do pessoal não é bom), a obra de Fayol sofreu críticas concernentes a falta de estudos empíricos a ausência de experiências e a total negligência ao ambiente externo a organização.

Elton Mayo – Relações Humanas – Ênfase nas pessoas

A famosa experiência de Howthorne (bairro de Chicago) onde algumas pessoas foram observadas durante 5 anos sob diversas condições de trabalho, com baixa e alta iluminação, com muitas e também com poucas horas trabalhadas, estudo da fadiga, acidentes de trabalho, fatores psicológicos, foi feito um paralelo entre as condições de trabalho e a produtividade dos funcionários, dessa forma os pesquisadores perceberam que variáveis psicológicas interferiam na produtividade dos funcionários, a partir de tal experiência passou-se a valorizar mais o fator humano e a ideia do homo econômico foi deixada de lado, desta forma o operário é ouvido, há uma integração maior com a empresa e uma ênfase nos aspectos emocionais, entra em cena o homem social onde o paradigma vigente passa a ser a ideia de aprovação social e participação, reconhecimento, as tarefas devem ser estimulantes e despertar o interesse do trabalhador. Neste período surgiram os estudos acerca de motivação, comunicação e liderança. Contudo esta teoria foge um pouco a realidade das organizações, as organizações necessitam de eficiência para funcionarem adequadamente e isto implica em métodos repetitivos e maçantes o que acaba chocando com os objetivos individuais do operário de auto-realização por exemplo.

Peter Drucker e outros – Teoria Neoclássica

Ênfase no pragmatismo, deixa-se um pouco a teoria de lado e é dado um maior enfoque a prática é uma evolução da abordagem clássica um aperfeiçoamento das teorias anteriores, administração por resultados, por objetivos, são aceitos novos conceitos, surge a ideia de MISSÃO, as organizações são um meio de produção que precisam de uma razão para existir, a área administrativa é uma ciência separada e deve seguir a um padrão básico e destoar na medida de suas necessidades, destaque para o desempenho individual.
Esta teoria já com as funções administrativas dividas em 4 vertentes. Planejamento, Organização, Direção e Controle, também enfatiza, os tipos de organização (Organogramas), Departamentalização e administração por objetivos. Surge aqui também a idéia dos níveis hierárquicos dividos em Institucional, Intermediário e Operacional, a organização pode se desenvolver em dois sentidos que são:
Vertical: Níveis hierárquicos.
Horizontal: Departamentalização, aumento de órgãos especializados
Chiavenato caracteriza a organização através de 4 conceitos básicos, a saber:
Divisão do trabalho: divisão de um processo complexo em processos menores
Especialização: Operários e órgãos com tarefas específicas.
Hierarquia: Autoridade dos cargos superiores em relação aos cargos de camada mais baixa.
Distribuição da autoridade e responsabilidade.
Acompanhe abaixo o esquema da administração por objetivos (APO)
administracao por objetivos

Teoria da Burocracia – Abordagem Estruturalista.

Um dos principais teóricos desta linha de pensamentos foi o sociólogo alemão Max Weber, Weber notou que o paradigma de administração no início do século XX mudou, os antigos modelos de administração do período inicial da revolução industrial foram substituídos pelo modelo burocrático o qual se baseava em uma abordagem onde seus membros deviam seguir um regimento legal, comunicação entre níveis hierárquicos por via documental, o modelo burocrático foi caracterizado como mais humano, mais justo, o principal motivo de uma organização existir é o fato de que alguns objetivos só podem ser realizados por um grupo de pessoas trabalhando de forma coordenada.

As principais características do modelo burocrático:

Caráter legal das normas e regulamentos.
Caráter formal das comunicações: devem ser escritas para comprovação via documental evitando assim interpretações errôneas.
Impessoalidade nas relações: as pessoas entram e saem da empresa de acordo com seu grau de competência e não por influências pessoais. A figura do cargo e as atribuições, direitos e deveres deste é que são dotados de autoridade, desta forma os funcionários são subordinados a outros funcionários de cargo de hierarquia mais elevada, esta subordinação se dá em razão do cargo e apenas do cargo.
O dirigente é um profissional qualificado em administração.
Profissionalismo: o cargo é para o funcionário um meio de subsistência.
Esta teoria foi criticada no que toca ao excesso de formalidade e conseqüente excesso de documentos, acomodação dos funcionários que passam a ter dificuldades para aceitar mudanças, o alto grau de impessoalidade gera uma convivência mecânica entre os funcionários.

Teoria Estruturalista

É voltado para a ideia da organização como um todo é focada no conceito de sinergia que apregoa que o todo é maior que a soma das partes, possui traços da teoria das relações humanas embora leve em consideração o ambiente externo intra-organizacional (relação entre as organizações), surge a ideia do Homem Organizacional que deve ser capaz de cumprir vários papéis dentro da organização, estar preparado para situações que geram stress, capacidade de adiar recompensas, permanente desejo de realização. A Teoria Estruturalista enfoca a análise da organização formal e informal, bem como o ambiente intra-organizacional e inter-organizacional, Segundo Amitai Etzioni, Weber foi ingênuo ao pensar que um único padrão burocrático seria suficiente para resolver o problema de quaisquer organizações, as organizações são diferentes em vários pontos por isso é necessário dividi-las em 3 grupos que são:
Tipos de organização baseada no tipo de obediência do funcionário para com a organização:
PODER COERCITIVO: Baseia-se em punições, Contrato psicológico alienatório (Obediência sem questionamento), Organização coercitiva
PODER MANIPULATIVO: Baseado em recompensas, Contrato psicológico calculista (Obediência interesseira), obtém resultados por meio de acordos com o funcionário
PODER NORMATIVO: Baseado em crenças e símbolos: Contrato psicológico moral(disciplina moral), os participantes devem acreditar no que fazem.

Teoria Comportamental

Recusa o conceito de que a satisfação do trabalhador resulta em um funcionário eficaz e eficiente, as ideias desta linha de pensamento eram baseadas em parte na teoria das relações humanas com algumas alterações e novas variáveis, reiterava a ideia de motivação, liderança e desempenho.
Esta teoria assim como a Teoria das Relações Humanas dá ênfase nas pessoas, mas de uma forma diferente , são observados os comportamentos dos indivíduos dentro do contexto organizacional que é baseado em 5 pontos.
Processo decisório: É necessário conhecimento e perspicácia para que seja escolhida a melhor decisão, todos os integrantes da organização podem tomar decisões relacionadas ou não com seu emprego, ou se desejarem podem se manter omissos a respeito de algo que não lhe seja atribuição.
Liderança: O bom líder deve entender as inter-relações entre indivíduos e organização
Autoridade e consentimento: É característica de uma comunicação dentro de uma hierarquia e deve ser aceita mesmo que sob a forma de coerção, todavia de acordo com os estudos de Barnard esta autoridade deve ser aceita pelo trabalhador de forma que em seu íntimo ele realmente concorde com a decisão tomada e se disponha em trabalhar para o crescimento da empresa com afinco e boa vontade. Para que o funcionário aceite uma ordem é preciso que:
Ele possa entendê-la;
Ele a julgue como compatível com os objetivos organizacionais bem como compatível com seus objetivos pessoais;
E que ele seja capaz de cumpri-la física e mentalmente.
Homem Administrativo: São racionais frente a uma situação e devem saber qual a melhor decisão a ser tomada
Conflito de Objetivos: O fato de que os objetivos individuais divergem dos objetivos organizacionais. O que deve ser feito então é uma harmonização entre esses objetivos de modo que o trabalhador sinta-se parte da empresa e deseje contribuir eficientemente para o crescimento da organização para isso é necessário:

Comunicação Efetiva, Disposição em contribuir, Propósito comum.

Os estudos de Likert mostra que a supervisão geral com ênfase nas pessoas resulta em melhores resultados do que uma supervisão central baseada nas tarefas, o que mostra que é importante interagir com o funcionário a supervisão deve ser orientativa e não punitiva, liberdade no ambiente de trabalho, Confiança inter-grupal, Medidas de desempenho e técnicas participativas.

Integrar objetivos organizacionais com objetivos individuais é um processo que esbarra na seguinte questão: A Organização oferece a grande maioria tarefas medíocres e repetitivas onde há pouca responsabilidade, independência e que exige o mínimo de capacitação do funcionário a ponto do mesmo às vezes ser substituído por robôs, as decisões ficam centralizadas nas mãos dos chefes, desta forma os funcionários se sentem subjugados e suas necessidades sociais e psicológicas no trabalho não são atendidas o que gera um cataclisma entre estes e a média/alta direção. Para a minimização deste problema foi proposta a seguinte ação por Argyris: A delegação de funções ao trabalhador e o requerimento de sugestões fazem do trabalhador um contribuinte ativo.

A teoria comportamental foca na reciprocidade entre organização e trabalhador, tem uma abordagem mais descritiva do que prescritiva

TEORIA SISTÊMICA

A Teoria Geral dos Sistemas é baseada na análise das disciplinas como peças interligadas que possuem relações entre si e eixos de conexão sendo que uma matéria pode se beneficiar de descobertas feitas em outros ramos da ciência, a Teoria Sistêmica é parte da TGS (Teoria Geral dos Sistemas) e a partir dela se chegou a TGA (Teoria Geral da Administração).
Princípios adotados pela Teoria Sistêmica:

Os sistemas existem dentro de outros sistemas;

Os sistemas são abertos;

As funções de um sistema dependem de sua estrutura;

Comparando os sistemas abertos com os sistemas fechados temos as seguintes divergências.
Sistemas abertos: estão em constante integração com o ambiente, influencia e é influenciado por ele, é dinâmico e está em constante mudança devido a fatores externos, pode se adaptar ao meio em que está inserido e reverter estados, a competição é contingencial.
Sistemas Fechados: Não compete com outros sistemas, não está aberto a mudanças, não evolui nem decresce é estático e imutável, não há interação com o ambiente.

ABORDAGEM CONTINGENCIAL

Antes de iniciar eis a definição de contingência:

É algo incerto, que pode ou não acontecer depende das circunstâncias, dentro do âmbito da organização isso significa dizer que em um ambiente incerto e volátil como o mundo contemporâneo não basta apenas um paradigma administrativo para suprir todas as lacunas é preciso um modelo que se adeque a cada situação, para isso é necessário harmonizar tecnologia e ambiente a cada situação em específico.
Foco: Não há nada de absoluto na teoria administrativa e nas organizações tudo é relativo. Em ambientes imutáveis como sistemas fechados os moldes mecanicistas prevalecem, em um ambiente instável e turbulento como o sistema aberto se dá melhor o sistema orgânico.

TEORIA DA COMPETITIVIDADE

Adam Smith o principal nome do Liberalismo econômico defendia que a riqueza de uma nação esta diretamente ligada aos indivíduos que movidos por interesse próprio promoviam o crescimento econômico e tecnológico através de seu trabalho. A teoria da competitividade defende a ideia de que uma empresa deve sustentar ou ampliar a sua atuação no mercado de forma sustentável através da formulação de estratégias, outra teoria de destaque é a teoria do caos que é baseado nos sistemas dinâmicos não lineares a menor variação em um ponto deste tipo de sistema acarreta uma tragédia de proporções gigantescas, o mercado segue um ciclo instável e imprevisível e quando há uma quebra no ciclo origina-se o caos.

Tabela da evolução do pensamento administrativo

Tabela retirada da publicação de Cristiana Duran no site www.euvoupassar.com.br
evolucao_das_teorias_de_administracao

Baseado no material exposto no site www.euvoupassar.com.br desenvolvido por Cristiana Duran

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